Sunday, June 3, 2012

Festival Cannes 2012 : um olhar






65ª edição Festival de Cannes 2012
Marilyn Monroe
créditos foto: Otto L. Bettmann (©Corbis/Bettmann)
affiche: Agence Bronx (Paris) 

De novo o cinema! Desta vez para escrever, já um pouco tardiamente, da 65ª edição do Festival de Cinema de Cannes/ Festival de Cannes 2010, que decorreu de 16 a 27 Maio último. 

Um festival que reúne nomes do cinema europeu e americano numa competição sempre de grande qualidade.

Este ano, o icónico cartaz homenageava Marilyn Monroe no 50º aniversário da sua morte, captando a actriz num momento íntimo em que o mito e a realidade se encontram.




Júri 65ª edição Festival de Cannes
presidente: Nanni Moretti

O júri presidido por Nanni Moretti reuniu personalidades plurais do mundo do cinema e Jean-Paul Gaultier do mundo da moda. 






65ª edição Festival de Cannes 2012

Nanni Moretti
crédits: © Jean-Paul Pelissier/ REUTERS



Num breve olhar, a competição oficial exibiu filmes de grande diversidade, na sua maioria, em língua inglesa, e foi precedido de alguma polémica, supostamente pela ausência de presenças femininas. 

No entanto, a realizadora Agnès Varda (não presente) e outras personalidades apressaram-se a refutar.

Entre os filmes seleccionados e não premiados estiveram grandes cineastas como David Cronemberg "Cosmopolis", Wes Anderson "Moonrise Kingdom" (com Edward Norton) Andrew Dominik "Killing Them Softly", Jeff Nichols "Mud", Walter Salles "On the Road", John Hillcoat "Lawless", Lee Daniels "The Paperboy".





65ª edição Festival de Cannes 2012
Bérénice Bejo/ Maîtresse des Céremonies

Bérénice Bejo, a actriz do filme The Artist, um filme delicioso que poucos perderam, foi a apresentadora oficial. 

Presenças imprescindíveis como Brad Pitt que interpretou a personagem principal do filme vencedor de Cannes 2011, A Árvore da Vida de Terrence MallickUm dos mais belos filmes da passada temporada. 




Festival de Cannes 2012
Moonrise Kingdom/ Wes Anderson
Actores e realizador
crédits: Abaca

Também Edward Norton, actor que muito aprecio, intérprete do filme Moonrise Kingdom" veio apresentar o filme incluido na selecção oficial. 




Reese Witherspoon & Matthew McConaughey
MUD/ Jeff Nichols
crédits: AP/ La Presse

Ou Reese Witherspoon, Matthew McConaughey intérpretes de MUD do realizador Jeff Nichols. Outros dois grandes actores.





Festival de Cannes 2012
Amour Emmanuelle Riva | Michael Haneke | Jean-Louis Trintignant
crédits: Jean-Paul Pelessier/ REUTERS
http://www.lexpress.fr/culture/l

As nomeações foram anunciadas na noite de 27 Maio (listagem completa dos premiados aqui). 

O filme vencedor da 'Palme d'Or' foi Amour de Michael Haneke. O filme favorito da imprensa presente no festival, um comovente drama com interpretação de Jean-Louis Trintignant e a participação de Isabelle Huppert. Rita Blanco tem nele uma pequena interpretação.






A história dolorosa, comovente, de um casal lidando com o envelhecimento e a demência. O júri ressaltou, na entrega do prémio, o trabalho de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, dois veteranos do cinema francês. Duas lendas do cinema de autor.

Não é a primeira vez que o cineasta austríaco é premiado no Festival de Cannes. Seu trabalho anterior, O Laço Branco, recebera já a Palme d' Or (2009).



Depois, importa acrescentar que foi um festival de alto nível. Mesmo sem a descoberta de obras-primas, embora, verdade seja dita, também isento de verdadeiras decepções. Ou seja, a selecção oficial de Gilles Jacob e Thierry Frémaux confirmou os créditos do melhor festival de cinema do mundo. Ainda assim, não deixa de merecer as suas críticas. 





Festival de Cannes 2012
Cerimónia de encerramento


O filme exibido no encerramento da cerimónia? Thérèse Desqueyroux de Claude Miller, baseado no romance de François Mauriac, e interpretado por Audrey Tautou, Gilles Lellouche e Anaïs Demoustier.




Festival de Cannes 2012
Thérèse Desqueyroux
Claude Miller

"Avant de disparaître, il y a quelques semaines, à l'âge de 70 ans, il a appris que son film, le dernier, était sélectionné au Festival de Cannes dont il fera la clôture, dimanche soir. C'est une ultime et belle consécration pour ce cinéaste de l'intime, qui avait déjà reçu le prix du jury du festival pour La Classe de neige (1998)."

Jean-Luc Wachthausen, Le Figaro

Paradoxalmente, esta edição do Festival de Cannes ficará ligada à juventude. Abriu com Moonrise Kingdom, um filme em que o americano Wes Anderson se excede num olhar de encantamento sobre a puberdade. Foi um dos favoritos. 

E fechou tal como começou, com a influência juvenil no mundo dos adultos, MUD, de outro americano, Jeff Nichols, numa cativante variante do imaginário de ‘Huckleberry Finn’.



Marion Cotillard era a grande favorita na categoria de Melhor Actriz,  pelo seu fantástico desempenho em De Rouille et d'Os, muito aplaudido no final da projecção. 

Um filme que narra a história de amor de um casal improvável. Dois seres amarfanhados pela vida que vêem nestes fragmentos do discurso amoroso um meio de reencontrar o seu lugar na sociedade.

O filme rendeu grandes elogios a Marion Cotillard. E sobretudo, ao realizador Jacques Audiard que morreu algumas semanas antes da estreia do filme no Festival de Cannes.

"Audiard pleure, sourit, et moi avec. Du mélo revisité, assumé, sublimé. "

Eric Libbiot, L'Express

Já em exibição comercial, facto que não agrada a certames conceituados como Cannes ou Veneza




Festival de Cannes 2011
Tree of Life
Terence Mallick

Relembro que Mallick resguardou o filme A Árvore da Vida até à apresentação na edição do festival em 2011.

O júri surpreendeu ao entregar o 'Grand Prix' (o segundo mais importante do festival) a Reality do realizador italiano Matteo Garrone. Uma análise da cultura dos reality-shows televisivos.



Matteo Garrone
Reality
EPA | Ian Langsdon

Cosmopolis de David Cronemberg, adaptação do romance de Don Delillo, faz uma metáfora da crise do capitalismo. Foi produzido pelo português Paulo Branco com apoio da RTP. 

É considerado por alguns críticos o pior filme do conceituado autor.

Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012 foi a escolhida para a antestreia no passado dia 28 Maio.

Admiradora de Cronemberg, confesso que a escolha de Pattinson me deixou surpreendida. Já tive a oportunidade de ver a apresentação do filme, e não fiquei convencida.  No entanto, nele figuram actores excelentes como Paul Giamatti e Juliette Binoche

Esperavam-se grandes enchentes nas duas sessões que tiveram lugar em Lisboa no dia 29 Maio, uma delas no Centro Cultural de Belém. Contou com a presença do actor Robert Pattinson. O filme está nas salas desde 31 Maio.






Festival Cannes 2012

Para mim, serão sem dúvida de culto obrigatório a ver nas salas de cinema Amour e De Rouille et d'Os. Gosto de temas da vida. E com actores desta estirpe, é obrigatório.

Aguardemos agora pelo Festival de Cinema de Venezia (Agosto-Setembro) cujo presidente de júri é o conhecido realizador norte-americano Michael Mann.


G-S

Fragmentos Culturais


04.06.2012
Copyright © 2012-Fragmentos Culturais Blog, fragmentosculturais.blogspot.com®

13 comments:

. intemporal . said...

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. entre o mito e a realidade . entre a realidade e o mito . o decalque de Marilyn . no registo a P&B . que tanto gosto . a coroar todo um festival da sétima arte .

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. "amei.de.amar" .

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. um beijo meu .

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Fragmentos Culturais said...

Também eu admirei e muito... o cartaz a preto e branco (já o do ano passado fora a preto e branco) representando uma Marilyn mítica que a morte tornou intemporal!

Muito obrigada por estares tão atento, depois de tanto tempo sem publicar nada... mas seria imperdoável deixar passar o festival de cinema que mais aprecio!

Um beijo, Paulo!

mfc said...

É sempre um momento alto da filmografia europeia e mundial!
Fica-me, entre outros, o desejo de ver "Cosmopolis"!

aflores said...

Ai o cinema, o cinema!

E eu sempre atento ás tuas críticas e sugestões. Sempre.

Tudo de bom.

João Roque said...

Excelente postagem, sucinta mas com o que demais relevante se passou em Cannes.
Parabéns.

Fragmentos Culturais said...

Considero o festival de Cannes o ponto de referência mais interessante no que concerne a cinema, 'mfc'!

Não disse que não iria ver 'Cosmopolis'...

Fragmentos Culturais said...

Sabes que gosto de cinema, 'aflores'... e sei que tu também!

Muito obrigada por teres em consideração o meu opinar sobre os filmes que gosto... ou gosto menos!

Tudo de bom!

Fragmentos Culturais said...

É mesmo uma 'síntese' pessoal do festival de Cannes, João!

Muito obrigada pelas tuas palavras!

Daniel C.da Silva (Lobinho) said...

Norma Jean esteve muitíssimo bem lembrada numa foto que não é qualquer uma.

Dos vários e diferentes filmes, muitos já em cartaz, há alguns que me suscitam particular interesse, sendo que por exemplo "Cosmopolis" não o tenho apenas como uma metáfora ao capitalismao (penso que a história e a personagem são muito mais colectivas e escrevem muito mais no que somos, do que uma interpretação semi literalista da crise capitalista. Há toda uma metáfora que nos interpela se compreendermos bem a história que tanto tem de real como de absurdo como testenunhal da condição humana na era pós moderna onde o vazio se instala com a capa do mais ter, nao necessariamente do mais ser.

O "Amour" é qualquer coisa de diferente até arrojado nos filmes contemporâneos. Talvez se "sofra" um pouco mas é de uma intuição e realidade prementes que no mínimo deixa pensativo quem o vai ver...

Um beijo

vitor cunha said...

Tudo que recorda Marilyn acarreta saudade, não saudosismo e drama! Quanto ao preto e branco do cartaz, é caso para perguntar: Não foi Marilyn uma pessoa a preto e branco?
Um beijo.

Fragmentos Culturais said...

Perdoa Daniel, só agora vi|li este teu comentário.

Estive fora uma semana (trabalho) e deve ter-me passado, entretanto.

Confesso que nas últimas três semanas (caso raro) não tenho ido ao cinema.
Andei por fora, preparar situações, ir, voltar, recompor, ordenar, tiraram-me o tempo disponível.
Só agora a partir do final da semana, poderei gozar daquele ritual que tantos« aprecio... sentar-me numa sala de cinema!

Cronemberg não brinca quando filma, mas nem sempre é entendido. Suponho que o captaste bem.

Não vi 'Cosmopolis' na semana em que estreou, já andava atarefada e penso que preferi um outro filme por razões que agora não lembro (excesso de cansaço).
Uma coisa só não entendo! A escolha deste actor... não faz seu género. É muito mais exigente na selecção.

Tentarei ainda ver, se continuar em sala.

Já conseguiste ver 'Amour'?! Por aqui, ainda não passou.

Um beijo

Fragmentos Culturais said...

Errata (resposta-comentário a Daniel):

'...que tanto aprecio...'

Fragmentos Culturais said...

Perdoa também tu Vítor! Só agora li este comentário, pelas razões descritas a Daniel.

Marilyn é uma 'saudade' diferente, sim!

Suponho que sim, que a maioria dos seus filmes são a preto e branco.
O que aliás fazia realçar mais a sua beleza.

Um beijo,